Casas antigas, mãos habilidosas, objetos guardados e o valor de saber fazer.

Casas antigas, mãos habilidosas, objetos guardados e o valor de saber fazer.

Para começar

Há uma satisfação particular em encontrar uma coisa muito bem-feita, sem a pretensão de querer ser perfeita.

Há uma mudança estética acontecendo em 2026 que aparece tanto nas passarelas quanto nas revistas: o cabelo muito “feito” está perdendo espaço para textura, movimento, frizz, fios desalinhados e aparência mais individual.

A British Vogue, ao fazer o balanço das tendências de cabelo de 2026, resumiu o momento como uma busca por cabelos cuidados e polidos, mas não excessivamente finalizados. Mais movimento, textura natural e particularidades de cada pessoa.

Nessa última semana, olhando os desfiles de Milão para a primavera de 2027 - uma outra paixão particular que tenho - consegui enxergar essa reação ainda mais explícita ao minimalismo impecável dos últimos anos: Prada, Gucci, The Attico e outras marcas mostraram cabelos com frizz, texturas naturais, penteados deliberadamente desalinhados e um certo glamour que não parece recém-saído do salão.

Eu sempre acreditei que um cabelo bonito começa por um cabelo saudável. Mas gosto ainda mais da ideia de que, quando está bem cuidado, ele não precisa ser constantemente corrigido para parecer bonito.

Essa liberdade em deixar um cabelo continuar sendo cabelo é estimulante, você deve experimentar!

Bem-feito não é a mesma coisa que perfeito.
E nunca será.

Ainda existem pessoas que sabem fazer - ainda bem!

Em seus Design Awards, a Monocle voltou os olhos para uma espécie cada vez mais preciosa de profissional: quem domina um ofício.

São pessoas que conhecem materiais, ferramentas e processos porque passaram anos trabalhando com eles. A habilidade não aparece como espetáculo. Está na precisão de uma junção, no acabamento que quase não percebemos, na decisão de não acrescentar mais nada.

Talvez o artesanal esteja voltando a nos interessar justamente agora porque tanta coisa pode ser produzida tão depressa.

E é isso, não é?! Quando velocidade deixa de ser rara, tempo começa a parecer luxo.

Conhecer os artesãos selecionados pela Monocle


_

Um benefício para quem assina

Quem recebeu esta edição da Sunday Reset por e-mail também ganhou uma miniatura Travel Size de presente em qualquer compra realizada pelo site, como benefício exclusivo para assinantes.

O desconto foi válido por tempo limitado e já chegou ao fim.
Assine a newsletter para receber as próximas edições e não perder novos benefícios.

_


Um homem que se recusou a fazer uma coisa só

Fernando Lemos foi fotógrafo, desenhista, pintor, designer gráfico, poeta, professor. Nasceu em Lisboa, chegou ao Brasil nos anos 1950 e fez daqui sua segunda pátria.

No ano em que completaria cem anos, o Instituto Moreira Salles abre em São Paulo uma retrospectiva construída a partir de seu arquivo.

O título é maravilhoso: Quanto mais desejo, mais invento o que vejo.

A exposição atravessa mais de sete décadas de produção e coloca fotografia, desenho, escrita e design lado a lado. Em vez de tentar encaixar Lemos em uma disciplina, permite ver justamente o contrário: como uma curiosidade pode atravessar muitas formas de fazer.

Especialização e autoria não são a mesma coisa. Pra mim, não. Nós reconhecemos traços de artistas através de seu olhar.

Conhecer a exposição no IMS Paulista


Nem toda casa antiga precisa parecer nova

Em Hampstead, uma casa modernista dos anos 1960 passou por uma restauração cuidadosa.

Terrazzo, mármore, vidro, madeira, a relação com o jardim: muito do que já estava ali permaneceu. É justamente isso que torna o projeto interessante.

Existe uma tentação contemporânea de tratar qualquer espaço antigo como uma página em branco. Derrubar, revestir, atualizar, substituir. Aqui, a inteligência aparece no movimento contrário.
Antes de decidir o que mudar, alguém decidiu prestar atenção no que merecia ficar.

Entrar na casa pela Architectural Digest


Por que guardamos coisas?

Uma pedra trazida de uma viagem. A louça que era da avó. Um livro comprado num sebo. Um vaso lascado. Uma caixa bonita demais para jogar fora.

Tenho objetos guardados cujo valor é difícil de explicar para outra pessoa porque já não está inteiramente no objeto.

Amei que a Kinfolk dedicou parte de sua edição mais recente ao impulso humano de colecionar e ao retorno do interesse por objetos antigos.

Acho que é uma pequena reação à facilidade com que substituímos tudo.

Uma casa construída lentamente acumula coisas que jamais seriam escolhidas juntas numa loja. E talvez seja justamente por isso que ela começa, depois de algum tempo, a se parecer com quem vive nela.

Explorar a edição 60 da Kinfolk


O que a arte brasileira ainda não disse?

E, se estiver em São Paulo, há algo que merece entrar na agenda.

O MAM acaba de reabrir com o 39º Panorama da Arte Brasileira — Depois que tudo foi dito, sob curadoria de Diane Lima.

O título começa quase como uma provocação. Depois de décadas discutindo identidade, representação, história e os próprios limites da arte brasileira, o que ainda pode ser imaginado? Em vez de olhar para trás procurando uma definição definitiva do que seria “arte brasileira”, o Panorama se interessa pelo que pode vir depois.

Seria uma ótima pergunta para levar para outros lugares também. Depois que tudo parece já ter sido feito, visto e dito, o que ainda merece ser inventado?

Conhecer o 39º Panorama no MAM São Paulo

 

Antes de ir

Olhe ao redor da sua casa.
Escolha uma coisa que está com você há muito tempo. Talvez não esteja perfeito.

Melhor ainda.
Algumas coisas só começam a contar uma história depois que deixam de parecer novas.

Até um próximo domingo!

0 comentários

Deixe um comentário

Por favor, lembre-se de que os comentários precisarão ser aprovados antes de serem publicados